segunda-feira, novembro 22, 2010

Foi assim que eu vi.......

O dia hoje começou mais alegre, já com algum sol e a chuva acabou por não cair. Mais uma semana se inicia e ainda não há certezas de quando volta para casa o nosso doente. Ontem já retirou as sondas e toda a artilharia que o rodeava, sinal de que as coisas estão a evoluir favoravelmente, mas ainda cedo para regressar a casa, porque ainda tem de estar com oxigénio de vez em quando.
Neste momento está tudo muito calmo, o que é óptimo para quem está em convalescença e para quem está à espera de entrar no bloco. Já fiz a minha ronda pelas enfermarias e fiquei muito satisfeita por as pessoas dizerem que já sentiam a minha falta. Tambémm eu vou ter saudades destes dias um tanto cansativos mas que me enchem o coração por saber que estou a fazer algo que pode ajudar.
A maioria das pessoas são de idade mais avançada e quase todas com problemas de diabetes. As coisas acontecem e deixam andar até que chegam a situações de amputação, quando poderiam ter sido resolvidas de outra forma. Diabetes e má circulação não combinam nada bem.
Entretanto nos dois últimos dias, aproveitei para ir a duas grandes superfícies aqui no Porto, ver algumas coisas para o Natal e as suas iluminações. No sábado, enquanto fui comprar uma água no super-mercado, a Margarida ficou a observar as pessoas que passavam e chegámos a uma triste conclusão. As pessoas passam umas pelas outras e não conseguimos ver um sorriso nos lábios ou sentir felicidade nas suas caras.
Deu que pensar naquele momento. Sentimos uma sociedade triste e quase fútil.
A título de brincadeira, disse para a Margarida que as pessoas deviam estar sempre ao pé de nós. Na realidade as pessoas não vivem a vida, mas sim deixam-se levar por ela. Senti ainda mais vontade de viver, depois de ter observado tudo isto e de ontem, quando passeava com a minha filha no Arrábida apercebi-me exactamente que estava a acontecer o mesmo com todas as pessoas que víamos.
Apenas se viam sorrisos nos lábios das crianças e se corriam ou faziam algo de diferente, os pais repreendiam de imediato.
A vida é tão bonita e tão curta para não ser aproveitada e vivida com o máximo de carinho e compreenção.

4 comentários:

IsaLenca disse...

Acho que o mal é que muitas pessoas encaram as compras de Natal como obrigação- típico da sociedade de consumo. Por outro lado, dado que todos temos menos dinheiro também não podemos comprar o que gostaríamos, pelo menos para os nossos entes queridos. Como já disse aos meus filhos, se pudesse dava-lhes tudo o que precisam e gostam. Agora talvez não levem nada de especial....apenas e sempre a companhia dos pais e da família chegada nos dias de Natal.

Mas nas terras grandes anda mesmo tudo de semblante sombrio...valham-nos os sorrisos das crianças:)

De resto desejo tudo de bom para o teu tio e que antes do final da semana esteja já em casa a recuperar.

Bjs (e um beijinho à Margarida)

Lina Querubim disse...

Cinda...sei tudo mas tudo do que falas!
Infelizmente, a minha Mãe era diabética passou por tudo o que um diabético sofre... sei o que sofri com o sofrimento dela.
Beijinhos e continuação de melhoras!!!

Nela disse...

As melhoras para o tio e beijocas para ti

Guida Palhota disse...

Olá, senhora enfermeira!
Como tem sido tão extremosa e está coberta de razão, deixo-lhe hoje aqui um sorriso grandalhão, mesmo de orelha a orelha.

E muitas beijocas