domingo, julho 08, 2012

Nada acontece por acaso................................



Faz hoje seis anos que tive alta do hospital, depois de me amputarem uma mama e esvaziarem a axila, deixando o meu braço direito com muitas e grandes limitações. Ainda me lembro como se fosse ontem, a cara dos meus amigos à minha espera, em casa da minha mãe, com um ar terrível sem saber o que me haviam de dizer e como me iriam encontrar. Ainda envolvida em pensos e ligaduras, com o braço muito atrofiado, dois drenos a deitar linfa e sangue à mistura metidos num saco e presos no sinto das calças ainda nº 36, que saudade, mas com uma disposição de quem ia para a festa. O tempo passou tão rápido e sempre com uma Fé e uma Esperança que me fez e faz estar agora a cortar-vos como me sinto.

Seis ciclos de quimioterapia, da dura, cinco anos de hormonoterapia diariamente, cinco anos de injeção para provocar a menopausa, ainda sem resultados oficiais, fisioterapias umas seguidas às outras para que o braço tentasse voltar ao normal e não fizesse edema, três cirurgias para a reconstrução da mama amputada e um cem número de consultas, exames, análise e não sei mais das quantas……aqui estou eu com uns bons quilitos a mais, osteoporose de uma mulher com mais de 80 anos, dores nos ossos, a visão já com uns auxiliares, mas nem por isso deixei de ter sempre a boa disposição que me caracteriza e o otimismo para com a vida.

Isto tudo para vos dizer que amanhã retomo a minha atividade profissional, com as limitações que a doença me provocou e vou tentar dar o meu melhor dentro das minhas possibilidades. Não tenho ilusões quanto às minhas forças, mas não custa nada tentar sem antes tomar outra decisão. Pois é, seis anos após o dia da alto hospital. Nada é por acaso!!!!!

Fiquem  atentos eu vou dando notícias de como as coisas vão correndo, pois as consultas, análises e fisioterapias ainda continuam e não me vou esquecer nunca, de quem tanto me ajudou e me deu força nestes anos menos bons e menos fáceis.




terça-feira, junho 19, 2012

Vamos ajudar o MATEUS



Desde ontem à tarde, quando li a mensagem do meu amigo Pedro, o meu coração ficou apertadinho e a minha cabeça não parou nem mais um segundo. Talvez por me conhecer minimamente, saber  quanto sou persistente e teimosa,  ele o fez.
Meus amigos, muitas são as histórias muitas vezes se partilhadas nas redes sociais e nada teem de verdadeiro um muito pouco, daí muitas dúvidas ficarem sempre a pairar quando lemos algo de alguém que não é figura pública.
O Mateus efectivamente não é figura pública, mas é um menino real, que está a viver uma situação muito real e aqui tudo o que se possa fazer é por bem e em prol de uma causa leal e justa. Eu já falei com o pai do Mateus que é colega do meu amigo Pedro. Estamos todos a colaborar para, o regresso a casa que foi hoje, seja uma nova etapa e possa fazer a sua recuperação com todas as condições.
Não é preciso estar a escrever mais nada, apenas peço que leiam o que a mãe do Mateus escreveu:

O Mateus era uma criança normal (alegre, traquina, carinhoso, a alegria da nossa casa) até ao passado dia 16 de fevereiro. Nesse dia, tudo mudou. O Mateus teve uma convulsão que demorou cerca de 2 horas a ser controlada pelos médicos do Hospital São Sebastião.
Todos os exames médicos efectuados nesse dia e nos dias seguintes não mostravam nada de anormal. As análises que foram efectuadas mostravam que o Mateus não estava doente, mas o seu estado clinico não. Nos dias seguint...
es o estado do Mateus agravou-se de tal forma que deixou de conseguir respirar sozinho e por volta das 23:00 horas do dia 21 de Fevereiro foi-lhe induzido o coma e feita a transferência para os cuidados intensivos do Hospital Maria Pia. (às 23h desse dia foi a ultima vez que ouvi o meu filho chamar Mamã).
No dia 16 de março, após ter sido levantado o coma, foi-lhe retirado o ventilador e ele recomeçou a respirar por ele próprio, durante todo este tempo foram realizados dezenas de exames ao Mateus mas apenas a Ressonância mostra lesões no cérebro, todos os outros exames indicam que está tudo normal.
No dia 25 de maio festejou o seu terceiro aniversário e como prenda teve direito a saborear a sua guloseima preferida, musse de chocolate.
Neste momento, e apesar dos médicos pensarem que ele poderia ficar confinado a uma cama, sem poder falar, comer, sentar, andar, etc., o Mateus já consegue comer, sorrir, rir, tenta brincar com as mãos, vê o “Ruca” com atenção, senta-se com apoio de uma cadeira própria, e com muita dificuldade e raramente diz Mãe, Mamo, Não e É.
Todos estes progressos do Mateus têm provado que ele é um lutador e que quer recuperar e voltar a ser o menino brincalhão, traquinas, alegre, dançarino, corredor, refilão que era antes de todo este pesadelo.
Hoje, dia 16 de junho, passaram 4 meses de sofrimento, e começa o processo de reintegração do Mateus em casa, pois os médicos acham que ele pode recuperar melhor no seu ambiente familiar, e eu concordo plenamente com eles.
Se por um lado voltar a casa vai ajudar bastante, por outro lado existem condicionantes que podem interferir na sua recuperação pois são necessários tratamentos de neuro-fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, hipoterapia, etc., e também diversos equipamentos para o dia-a-dia do Mateus (cadeira para banho, cadeira de rodas, cadeira de automóvel, cadeira de posicionamento, standing frame, talas para endireitar os membros, etc.), equipamentos estes que por serem muitos especiais se tornam demasiado dispendiosos e nós Pais não conseguiremos comprar algum deste material para permitir ao Mateus lutar contra esta doença e proporcionar-lhe alguma qualidade de vida, uma vez que a aquisição dos mesmos ultrapassa os vinte mil euros.
Relembro que ainda não há diagnostico para a doença do Mateus, mas vamos procurar por todos os meios que nos forem possíveis obter uma resposta mas não podemos, ao mesmo tempo, deixar de ajudar na recuperação do nosso Menino.
Por isso peço a todos os que queiram ajudar o Mateus, a vencer esta luta e a ter um bocadinho mais de qualidade de vida, que divulguem esta mensagem junto dos vossos amigos.
O seu contributo com uma “gotinha” basta para nos ajudar a criar este oceano de esperança!

Obrigada a todos por tudo o que fizeram e seguramente continuarão a fazer por nós e pelo Mateus.

Cláudia Dias Ferreira

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terça-feira, junho 12, 2012

Força Grandalhona

Se me é permitido opinar, em matéria que me é familiar, muito tenho a dizer depois dos comentários que li no blogue de uma Grandalhona, que nada tem de derrotista nem de não lutadora. Talvez até fosse mais correto comentar no espaço que lhe pertence, mas na realidade o que quero mesmo é que todos saibam, que ELA não é de baixar os braços e não são comentários, como os que li sem identificação, e que sou contra, a vão fazer desistir.
Somos mulheres, a quem um dia, o céu caiu em cima como se de uma trovoada incontrolável se tratasse e o pior do mundo não tivesse solução. Vivemos um dia de cada vez, sempre como uma roleta russa, mas não desistimos nunca de o fazer. Não pertencemos a ceitas, instituições ou coisas parecidas, apenas tivemos e temos cancro da mama, ou de outra coisa qualquer por consequência de um outro, ou porque sim.
Não baixamos os braços, não dizemos não à vida, lutamos e queremos viver e ver os nossos filhos crescer, independentemente do que possa existir para lá da vida. Todas sabemos que não vamos viver eternamente, mas queremos prolongar a nossa estada por aqui. Não é fácil para ninguém, mas mais difícil será se nos entregarmos sem luta.
Eu tive cancro de mama e não me era nada favorável o prognóstico até terminar os tratamentos mais agressivos e não foi por isso que baixei os braços, muito pelo contrário. As sequelas ficam, isso não podemos negar, mas muita coisa boa nos trouxe e muitas amigas e partilhas se conquistaram. Os blogues e os grupos que se foram criando são a prova evidente da força que conseguimos transmitir e o apoio incondicional e sem interesses.
Grandalhona, gostei do que li no teu último poste. Claro que não vais DESISTIR nunca, porque somos muitas a dar nessa carola.
Ao ANÓNIMO, deixo o desafio de acreditar em quem pode e quer fazer com que consigamos continuar vivas. Viver é bom, mas temos de ter VONTADE DE VIVER

sexta-feira, maio 18, 2012

Mais uma estrelinha no céu

Não esperas-te pela minha gelatina e já não conversámos como combinado.
Vou guardar sempre o teu sorriso, quando brinquei com o teu tesouro.
Não te deixaram sofrer porque não merecias.
Descansa em Paz * G - - - - - - A.

quinta-feira, maio 17, 2012

Mas porquê??? Ainda continuo a perguntar .......

Estou sentada em frente ao computador faz algum tempo e não sei como começar a escrever o tanto que tenho para contar e deitar para fora toda a revolta que sinto contra o sistema de saúde que temos.
Há um ano e meio a G_ _ _ _ _ _  _ teve o seu terceiro filho, uma menina linda e saudável. Como muitas mulheres, o mamilo não estava saliente para que pudesse amamentar e foi-lhe retirado o leite através da bomba, onde nessa altura houve sangramento. As coisas ficaram por ali mesmo. O tempo foi-se passando e o mamilo continuou invertido.  O seu estado de saúde não era lá muito famoso, sempre com uns enjoos, umas indisposições , mas nada que fizesse pensar o que se viria a concluir. Fez endoscopia, e nada havia de anormal. Uma noite sentiu um nódulo no peito direito, levantou-se e foi fazer a palpação, qual o seu espanto igual estava o esquerdo. Foi ao médico que a encaminhou para a consulta de senologia da sua área onde foi vista p+ela especialista que pediu uma biopsia com a máxima urgência, tendo a mesma sido marcada para cerca de 20 dias depois. INADMISSÍVEL. Como infelizmente o factor C continua a prevalecer,  e nestas situações graças a Deus, no dia seguinte foi fazê-la num outro hospital. Resultado: Grau V bilateral.
Os tratamentos foram logo iniciados após consulta de grupo e na passada sexta-feira, foi o primeiro que a deixou completamente de rastos, pois o fígado está demasiado afectado para suportar a agressividade da medicação.
Ontem quando a fui visitar, estava a chegar do hospital, pois a noite tinha sido muito violenta e tiveram de lhe extrair cerca de 6 litros de líquidos do abdómen. Estava de rastos mas sempre com um sorriso para a pequenina que acara de chegar do infantário, feliz por ver a mãe e satisfeita porque lhe estávamos a contar histórias e até deixei brincar com o meu telemóvel, cair no chão, ficar todo estrambulhado e ainda fazer brincadeira com tudo aquilo.
Escusado será dizer que lhe dei a maior força, pois por lá já tinha passado e já nos conhecemos há anos e até já fomos quase vizinhas.
Hoje quando lá voltei para lhe fazer um bocadinho de companhia e transmitir mais alguma energia, já tinha voltado de novo ao hospital, menos bem que ontem, e para ficar internada.
Precisamente SEIS ANOS depois de eu saber que tinha um cancro, a revolta contra todo o sistema de saúde e as negligências que se vão aglomerando perante a ignorância do comum do cidadão.
Só sei que, não sei se voltarei a falar com a G _ _ _ _ _ _ _  !!!!!!!!!!!

quinta-feira, maio 10, 2012

Linha da Frente - Informação - Actualidades RTP 1 - Multimédia RTP

Linha da Frente - Informação - Actualidades RTP 1 - Multimédia RTP

Ontem a RTP transmitiu mais um dos seus programas "Linha da Frente".
Desta feita, dedicado ao cancro da mama e como é tratado na Maternidade Alfredo da Costa.
Foi bem elucidativo, do que é para uma mulher e para a sua família, quando o cancro lhe bate à porta.
Espero que os Srs. Drs. das juntas Médicas, que tantas vezes mandam as mulheres trabalhar, porque ter tido cancro não as incapacitou, tenham visto e ouvido os médicos, as enfermeiras, as psicólogas e as pacientes falarem e tenham finalmente tomado consciência do que o cancro de mama pode fazer a uma mulher.
 Os cancros não são todos iguais e a sequelas dele resultantes, também não. É necessário que as análises sejam feitas convenientemente e não tratar as pessoas como números.
Vou acreditar que tenham visto e ouvido.

quinta-feira, maio 03, 2012

Quem espera desespera...............

Quem me conhece minimamente, sabe que sou uma mulher persistente e que não me dou por vencida quando me dizem que não tenho direito a isto ou aquilo. Mais uma vez este ano, ainda ando às voltas com a “bolsa de estudo” da minha filha. Como já era de esperar, veio novamente indeferida, porque continuam a não fazer as coisas como devem ser e a não elucidar quem as tem que fazer devidamente, ou também não estão para estar com esse trabalho.


Este ano, ainda foi mais grave a razão do indeferimento: dívidas para com a segurança social e acima do limiar de pobreza.

Acreditem que me apeteceu dar umas boas gargalhadas, eu que nem desconto para a segurança social e no limiar da pobreza, certamente não ia conseguir ter a minha filha na faculdade a 30km de casa, pagar transportes, alimentação e tudo o mais que temos para pagar com um estudante universitário. Lá tive que voltar a apresentar toda a papelada, provar que desconto para a CGA e ainda perder duas manhãs na segurança social para passarem uma declaração como nada devia.

Posto isto, toda a documentação foi enviada no devido site, com a indicação do porquê do recurso apresentado. Isto ocorreu a 30 de Janeiro de 2012, desde então nada foi dito por parte dos serviços sociais da faculdade, tendo eu sempre o cuidado de ir vendo a situação, estando a dita “bolsa de estudo” sempre em análise e as cadeiras todas feitas, notas afixadas, no mínimo estranho, achei eu.

Na passada segunda feira, a rapariga lá foi para estágio com tudo direitinho e a meio da tarde, recebe um telefonema da secretaria a pedir que fosse com a maior urgência entregar a documentação.

Hoje ao fim de, quase cinco horas, lá consegui entrar em contacto com a pessoa responsável pelo processo e agendar para amanhã às 11,00h.

Fiquemos a aguardar o desfecho……….

ps: o segundo ano já está feito e ainda não sabe se será bolseira ou não.

Enquanto houver estrada para andar, não vou parar...

 «Em Abril de 2006, foi-me detetado um cancro na mama, quando soube fiquei em choque, mas no mesmo momento pensei que mais importante era a ...