domingo, fevereiro 12, 2012

12 de Fevereiro


Nem sempre é fácil estar com disposição para brincar ao Carnaval. Hoje cheguei a pensar que não me estava a conhecer, ao fim de tantos anos. Pois é. A vida por vezes faz com que não nos apeteça rir, brincar, saltar e até mesmo falar com quem habitualmente estamos. Hoje o dia foi assim. As notícias cada vez mais desanimadoras em relação ao futuro da humanidade, as notícias menos boas de amigos mais próximos e esta tosse que não me deixa descansar, fez com que me desse ao frio e ficasse o dia no sossego e na sorna.
Amanhã será um novo dia, o sol vai brilhar e de manhã bem cedinho o dia vai começar e tudo volta ao normal.
A vida é mesmo assim e por vezes há necessidade de parar um bocadinho para revigorar as energias.
Um boa semana e uma força muito especial para uma guerreira, nossa amiga, que esta semana vai precisar de todas as nossas energias.


sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Porque hoje estou assim...sei lá !!!

Nem sempre é fácil viver em harmonia. Cada vez mais, quem nós pensamos que estamos a ajudar, estamos a criar um inimigo ou um menos amigo, se esta expressão existe. As novas tecnologias fizeram com que nestes últimos 4 anos, tivesse conhecido muitas pessoas, com as quais me identifiquei e identifico, sendo como a minha segunda família. No entanto, também outras houve que me decepcionaram e por quem tenho um grande carinho. Por vezes chego a pensar se a culpa será minha? Sei que não tenho o meio-termo, ou gostam de mim ou não gostam. Não sou capaz de dizer que gosto quando não gosto, não sei dizer sim quando acho que é não, não consigo bater com a mão nas costas quando devo dar um estalo. Talvez por tudo isto e pela minha directa sinceridade, sou apelidada de fria e invejosa. Hoje eu sinto-me triste, porque não me conhecem nem tentam tão pouco fazê-lo. Hoje, tomei a decisão de deixar que cada um caminhe por si e só vou ajudar se o solicitarem. Cansei de dar de mim, de pensar tanto nos outros e esquecer que eu também existo e tenho uma vida para viver. Um dia, numa consulta de psiquiatria em que eu estava menos bem, o Sr. Dr. Disse-me: Lucinda, deu a volta a toda a situação com muita força e conseguiu, não se deixe envolver com as situações das amigas, quando não querem aceitar a sua ajuda, porque vai ficar mal. Eu não quis acreditar, mas cheguei à conclusão que ele tem razão. Não sei se este texto terá sentido para alguém hoje, ou se alguém se sentirá ofendido com ele, mas este espaço é meu e nele escrevo o que sinto para que todos, sem excepção, possam ler.


Continuo aqui e onde sabem que me podem encontrar, continuo a Cinda de sempre com saudades dos momentos de partilha pela partilha, dos encontros sem grupos nem clubes, dos abraços sentidos e divertidos, de tudo o que nos uniu e nos identificou. Porque hoje estou assim …sei lá!!!!!!

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Ver movimentos :: O Meu Movimento :: Governo de Portugal

Ver movimentos :: O Meu Movimento :: Governo de Portugal

Vamos todos participar e lutar por uma causa que é nossa.
Só temos deveres???? E os direitos que nos são devidos onde estão????
Todos juntos somos mais fortes.

terça-feira, janeiro 10, 2012

Balanço

O tempo passa e quase não damos conta. Cinco anos já lá vão desde a minha última quimioterapia e ainda tudo está tão vivo na minha memória como se fosse ontem.

Foram cinco anos de luta contra um inimigo que teimava em derrotar-me, mas que teimosa e casmurra como sou, não lhe fiz a vontade. Certo é, que apesar de terem passado os tão falados “cinco anos”, nada é dado como certo e apesar da força e da grande Vontade de Viver sempre fica a dúvida...

Este espaço de desabafos e onde vim buscar forças e transmitir outras, tem estado paradinho, não fosse o tão famoso Facebook que nos faz “perder” algum do nosso tempo, e abandonar sem querer outras publicações, por vezes mais úteis e abertas a todos que procuram apoio.

Vontade de Viver, iniciou-se no dia 26 de Dezembro de 2007, ano e meio após tudo ter começado e quando tive a noção exacta, por tudo o que tinha passado e quanto podia ser útil a outras mulheres a minha experiência de luta contra o cancro de mama. Durante esse tempo, fui procurando respostas junto de outros blogues e amigos médicos que sempre me apoiaram e me deram a maior força. As dúvidas eram muitas e não queria alarmar a família e alguns amigos, tendo por isso ficado um tanto fechada e lutado comigo mesma, para encontrar as respostas para o que me estava a acontecer. A minha filha tinha apenas 13 anos e precisava muito da mãe e nunca aceitou a possibilidade da não superação da minha doença. Quando tudo estava dado como estabilizado e depois de quase conhecer pessoalmente todas as bloguistas, que hoje são as minhas Grandes Amigas, abri a minha vida para elas e para quem me quisesse ler e aceitar a minha ajuda. Nunca fui mulher de baixar os braços, há sempre uma solução para tudo quando a vontade é grande e gostamos de nós e da vida.

Durante estes cinco anos, conheci pessoas fantásticas, dos mais diversos estratos sociais, mas para mim todas elas têm o mesmo valor, porque o que interessa é o seu interior.

Chorei de tristeza e de alegria. Gritei de dor, de raiva e de liberdade. Partilhei momentos bons e menos bons. Disse coisas bonitas e menos bonitas, mas não deixei nada por dizer.

Rosa Esperança, deu-me a possibilidade de conhecer pessoas lindas que vão ficar sempre comigo, no meu coração e fez com que eu voltasse à minha terra natal, Santarém. Foi, e é, uma experiência que me enriqueceu como pessoa e me deu a possibilidade de partilhar a mensagem de que há vida para lá do cancro. Foram vários os programas de televisão em que pude partilhar essa mensagem, sozinha ou com as amigas, as manifestações de carinho foram muitas e obrigada a todos sem excepção.

Este blogue trouxe-me muitas Amigas “As Amigas do Peito e do Coração” e momentos inesquecíveis que vou querer continuar a ter até ser velhinha. Fui apelidada de muitos nomes, o que já estou habituada, pois até as crianças acham que a Cinda ainda não cresceu! Neste último ano, a vida pessoal tem sido mais atribulada e menos tempo dedicado a este espaço que muitos procuram, mas prometo que vai ficar mais preenchido e mais enriquecido de hoje em diante. Vou dedicar-me mais às mais novas nesta, luta e que precisam sempre de uma força e estou disponível para ajudar, mesmo aqueles que nestes últimos tempos me desiludiram, porque tenho a certeza que ainda precisam mais de ajuda.

O texto já vai longo e o dia está lindo. Vou dar um passeio até ao meu mar, para receber mais uma lufada de energia positiva neste dia frio e de sol de inverno.



quarta-feira, novembro 23, 2011

Cinco anos após o último xuto

Oito horas da manhã, um dia de inverno frio e chuvoso, lá fui eu até ao meu hotel predileto.
Desta feita, acompanhada pela minha mãe, uma vez que era a última estadia e queria que  tivesse o previlégio de me acompanhar.
  A euforia era grande, como devem imaginar! Já sabedora que podia fazer tratamento, uma vez que fazia análises dois dias antes. A Monica, minha companheira de xuto,também lá estava mas não pôde acabar no mesmo dia, porque os valores estavam baixos. Fiquei triste por ela, tão novinha e com uma menina tão pequenina.
Foi o tratamento mais longo, cinco horas de xuto. Tive direito a tudo e mais alguma coisa. Penso até, que levei dose para me calar, o que não deu nenhum resultado.
Foi o segundo dia da minha vida em que gritei vitória. Segundo, porque o primeiro foi o nascimento do meu tesouro.
Cinco anos depois, no dia 23 de Novembro de 2011, aqui estou eu a contar a história, sempre com a mesma força e com esta alegria perante a vida, muitas vezes madrasta, mas que eu lhe vou dando umas grandes vassouradas.
Para todas as mulheres que estão em tratamentos, muita força e para quem vai começar, nada de baixar os braços e sempre que o ânimo for menos bom, há que vir aqui dar uma espreitadela, pois tenho a certeza que vai ajudar.
A vida é muito bonita para não ser vivida e há sempre uma solução se quisermos vencer.

quarta-feira, novembro 09, 2011

Até ao dia em que.....

A vida prega-nos muitas partidas e por vezes nem nos apercebemos que são para nos alertar de coisas que estão menos bem e os nossos olhos ou o coração não quer ver. Neste meio século que tive o privilégio de viver, foram várias as partidas que ela me pregou. Algumas muito duras, talvez duras demais, nem sendo merecedoras delas. No entanto foi um por à prova das minhas capacidades de sobrevivência e até onde eu era capaz de ir. Ultimamente nem tenho vindo escrever no meu blogue, porque tenho andado por outros espaços cibernéticos e que têm deixado ao abandono o meu cantinho, onde sempre recebi todos sem excepção e tenho a consciência de que muitos vieram buscar forças e alento ao que eu quase diariamente escrevia. Hoje não podia deixar em vazio mais uma vez este espaço, até porque, desde que efectuei o último poste com a entrevista na RTV, muitas coisas têm acontecido. Foram várias as felicitações que recebi, de amigos essencialmente, e de alguns familiares. No entanto também fui alvo de “acusações” que têm deixado muito triste e muito calada. Na peça que podem ver e que muito mediocremente elaborei, referi acentuadamente que a minha maior força nesta luta desmedida contra o cancro da mama, foram os meus Pais, a minha Filha e os meus Amigos. Mais pessoas me ajudaram, não digo que não, e só lhes tenho a agradecer, mas efectivamente estas três referidas foram sem sombra de dúvidas o meu suporte de betão para esta luta. Os meus Pais porque precisavam e precisam muito de mim, assim como eu deles. É uma permuta incondicional, A minha Filha, porque tinha 13 anos e só tinha a mãe a quem recorrer, uma vida pela frente para viver e crescer e eu quase com uma sentença de morte. Os meus Amigos, porque nunca precisei de pedir ajuda, bastava ouvir a minha voz ou ver o meu olhar para me darem toda a força que nem eles sabem onde iam buscar.


Pode-vos parecer estranho estar com toda esta escritura, ao fim de cinco anos de luta e a situação estar quase a ser dada como resolvida. Mas na verdade hoje li algumas publicações no facebook, um espaço fechado, que me entristeceram muito e que me fazem estar acordada a esta hora da madrugada sem conseguir dormir. Neste momento está uma mulher no hospital onde eu fui operada e que daqui a umas horas vai sofrer uma intervenção porque tem cancro da mama e vai mais segura e confiante, pelas palavras que ouviu na reportagem. Deixou-me o seu contacto e quer estar comigo. Tenho o meu pai internado no Porto, porque foi intervencionado para a colocação de uma prótese na anca e à 24h atrás estava a passar muito mal. Estou com uma faringite terrível que me impossibilita de estar a apoiar seja quem for, porque não posso sair de casa.

Este texto é público e todos o podem ler e comentar sem restrições, por isso não conseguia ir tentar dormir, sem partilhar tudo isto com quem me quer bem e sempre me apoiou e me continua a apoiar. Se alguém está menos contente comigo, que o diga e que seja aberto e sincero, sem textos prefabricados e que nada têm a ver com quem os escreve.

A todos os meus amigos, um obrigada bem do fundo do coração e não preciso de dizer quem são porque eles sabem e conhecem-me pessoalmente.



domingo, outubro 02, 2011

Todas nós na RTV

            Outubro o mês Rosa
Já lá vão quase dois meses que não venho dar notícias por estes lados. Não porque o tempo seja pouco ou porque não haja que contar!
Por vezes é mesmo assim, existe a necessidade de fazer ausências em determinados lugares.



Hoje, após alguns dias passados desta entrevista em direto na RTV na cidade do Porto, penso que será a altura ideal para mostrar a quem neste momento ainda tem muitas dúvidas sobre tudo o que está a passar e pelo que vai passar. Cada caso é um caso, assim o digo, mas se tivermos muita Fé, Força e muita Vontade de Viver, acredito que vamos sempre conseguindo mais um bocadinho e chegamos a bom porto.
Peço desculpa pela qualidade da reportagem, mas foi o que consegui gravar a partir da box aqui de casa.
Uma boa semana e a Esperança é sempre a última a partir.




Enquanto houver estrada para andar, não vou parar...

 «Em Abril de 2006, foi-me detetado um cancro na mama, quando soube fiquei em choque, mas no mesmo momento pensei que mais importante era a ...