domingo, dezembro 23, 2012

Era uma vez o Natal...




A vida é feita de momentos bons e menos bons. Nem sempre estamos predispostos a viver cada um desses momentos, e sem que nos apercebamos, entramos em estados menos agradáveis e quase de desespero.
Estes últimos meses, têm sido para mim um bocado difíceis de digerir, não porque me possa queixar de mim, mas porque ao meu redor, amigos e familiares têm estado menos bem e tudo isso me entristece.
A vida é cada vez mais difícil de ser vivida com o mínimo de dignidade, porque o poder se vai agigantando na mão de quem não sabe nem sente a realidade da maioria da população.
As crianças não têm que comer, os idosos não podem continuar a sobreviver condignamente porque deixaram de ter como pagar as suas medicações, os jovens têm que abandonar o seu País, porque não lhes é dada a possibilidade de o fazer crescer, tornando-se grandes profissionais, reconhecidos no estrangeiro.
As doenças são cada vez mais e o maldito inimigo vai proliferando e destruindo os meus amigos, roubando-lhes a vida e a vontade de lutar.
Hoje sinto-me triste, porque  há amigos que choram e outros me decepcionaram ao longo deste Ano.
É Natal, ninguém pode negar, mas certamente muito triste para muitos e muitos Portugueses.
Que todos os dias do Ano sejam Natal.


quarta-feira, outubro 03, 2012

Outubro mês de consultas. A prevenção é o melhor tratamento.


 
 
Mais uma quarta-feira, mais uma visita ao meu "Querido Hospital".

Hoje foi dose dupla, pois além da fisioterapia, houve consulta de rotina em oncologia. Ainda há cerca de um mês lá tinha ido, mas não havia os resultados de todos os exames e também foi pedida uma nova densitometria, já que as dores no esqueleto me têm andado a incomodar e a fazer das suas. Ora bem. Os ossos mantêm-se fracotes e lá terei que continuar a tomar o comprimido mensal, o cálcio todos os dias e andar o mais possível, quando o meu pé estiver recomposto.

A mamografia sem nada de especial a comparar com o ultimo estudo, no entanto na mama reconstruida identificam uma pequena quantidade de líquido envolvente, tendo por essa razão que fazer uma ressonância para verificarem do que se trata concretamente, tendo-lhe atribuído uma classificação de BI-RADS: 3. Também foi feita ecografia a um nódulo na coxa esquerda, podendo ser apenas um lipoma, mas que terá de ser vigiado. Quanto ao resto, tudo normal, mais uma cintigrafia para tirar dúvidas dos ossitos e dia 8 de Novembro volto lá novamente. Parece que gostam de mim naquela casa e querem-me ver por lá mais vezes.

E para já não há muitas mais novidades para além de o fresquinho do Outono me ter trazido uma crise de sinusite, a qual já está a levar uma sova daquelas!

Vou passando, para dar mais notícias e contar histórias das nossas guerreiras.

 

 

quinta-feira, agosto 23, 2012

Férias

Já estou oficialmente de férias após seis anos e acreditem que é muito diferente.
Boas férias para mim e para quem gosta de mim.

domingo, julho 22, 2012

Duas semanas de trabalho......

Já lá vão duas semanas de uma nova vida, após o renascer e tudo tem corrido pelo melhor.
Claro que tem havido muitos momentos em que as forças são menos e tomo consciência de que já nada é como era. A Capacidade de concentração e a destreza com que se faz as coisas já não é a mesma. Nestes anos, muita coisa mudou a nível de serviços e muito há para aprender. Tudo vai correndo bem e com a devida calma.
Quanto aos colegas de trabalho, nada a apontar.Colaboram a 100% e sempre disponíveis para ajudar.
É muito bom ouvir das pessoas que me vêem de novo no meu serviço, darem-me os parabéns e felicitarem-me pelo regresso.
As coisas estão a correr bem, mas acreditem que também estou ao mesmo tempo desejosa pelas férias.
E esta!!!! Vá-ase lá saber porquê!!!!

domingo, julho 08, 2012

Nada acontece por acaso................................



Faz hoje seis anos que tive alta do hospital, depois de me amputarem uma mama e esvaziarem a axila, deixando o meu braço direito com muitas e grandes limitações. Ainda me lembro como se fosse ontem, a cara dos meus amigos à minha espera, em casa da minha mãe, com um ar terrível sem saber o que me haviam de dizer e como me iriam encontrar. Ainda envolvida em pensos e ligaduras, com o braço muito atrofiado, dois drenos a deitar linfa e sangue à mistura metidos num saco e presos no sinto das calças ainda nº 36, que saudade, mas com uma disposição de quem ia para a festa. O tempo passou tão rápido e sempre com uma Fé e uma Esperança que me fez e faz estar agora a cortar-vos como me sinto.

Seis ciclos de quimioterapia, da dura, cinco anos de hormonoterapia diariamente, cinco anos de injeção para provocar a menopausa, ainda sem resultados oficiais, fisioterapias umas seguidas às outras para que o braço tentasse voltar ao normal e não fizesse edema, três cirurgias para a reconstrução da mama amputada e um cem número de consultas, exames, análise e não sei mais das quantas……aqui estou eu com uns bons quilitos a mais, osteoporose de uma mulher com mais de 80 anos, dores nos ossos, a visão já com uns auxiliares, mas nem por isso deixei de ter sempre a boa disposição que me caracteriza e o otimismo para com a vida.

Isto tudo para vos dizer que amanhã retomo a minha atividade profissional, com as limitações que a doença me provocou e vou tentar dar o meu melhor dentro das minhas possibilidades. Não tenho ilusões quanto às minhas forças, mas não custa nada tentar sem antes tomar outra decisão. Pois é, seis anos após o dia da alto hospital. Nada é por acaso!!!!!

Fiquem  atentos eu vou dando notícias de como as coisas vão correndo, pois as consultas, análises e fisioterapias ainda continuam e não me vou esquecer nunca, de quem tanto me ajudou e me deu força nestes anos menos bons e menos fáceis.




terça-feira, junho 19, 2012

Vamos ajudar o MATEUS



Desde ontem à tarde, quando li a mensagem do meu amigo Pedro, o meu coração ficou apertadinho e a minha cabeça não parou nem mais um segundo. Talvez por me conhecer minimamente, saber  quanto sou persistente e teimosa,  ele o fez.
Meus amigos, muitas são as histórias muitas vezes se partilhadas nas redes sociais e nada teem de verdadeiro um muito pouco, daí muitas dúvidas ficarem sempre a pairar quando lemos algo de alguém que não é figura pública.
O Mateus efectivamente não é figura pública, mas é um menino real, que está a viver uma situação muito real e aqui tudo o que se possa fazer é por bem e em prol de uma causa leal e justa. Eu já falei com o pai do Mateus que é colega do meu amigo Pedro. Estamos todos a colaborar para, o regresso a casa que foi hoje, seja uma nova etapa e possa fazer a sua recuperação com todas as condições.
Não é preciso estar a escrever mais nada, apenas peço que leiam o que a mãe do Mateus escreveu:

O Mateus era uma criança normal (alegre, traquina, carinhoso, a alegria da nossa casa) até ao passado dia 16 de fevereiro. Nesse dia, tudo mudou. O Mateus teve uma convulsão que demorou cerca de 2 horas a ser controlada pelos médicos do Hospital São Sebastião.
Todos os exames médicos efectuados nesse dia e nos dias seguintes não mostravam nada de anormal. As análises que foram efectuadas mostravam que o Mateus não estava doente, mas o seu estado clinico não. Nos dias seguint...
es o estado do Mateus agravou-se de tal forma que deixou de conseguir respirar sozinho e por volta das 23:00 horas do dia 21 de Fevereiro foi-lhe induzido o coma e feita a transferência para os cuidados intensivos do Hospital Maria Pia. (às 23h desse dia foi a ultima vez que ouvi o meu filho chamar Mamã).
No dia 16 de março, após ter sido levantado o coma, foi-lhe retirado o ventilador e ele recomeçou a respirar por ele próprio, durante todo este tempo foram realizados dezenas de exames ao Mateus mas apenas a Ressonância mostra lesões no cérebro, todos os outros exames indicam que está tudo normal.
No dia 25 de maio festejou o seu terceiro aniversário e como prenda teve direito a saborear a sua guloseima preferida, musse de chocolate.
Neste momento, e apesar dos médicos pensarem que ele poderia ficar confinado a uma cama, sem poder falar, comer, sentar, andar, etc., o Mateus já consegue comer, sorrir, rir, tenta brincar com as mãos, vê o “Ruca” com atenção, senta-se com apoio de uma cadeira própria, e com muita dificuldade e raramente diz Mãe, Mamo, Não e É.
Todos estes progressos do Mateus têm provado que ele é um lutador e que quer recuperar e voltar a ser o menino brincalhão, traquinas, alegre, dançarino, corredor, refilão que era antes de todo este pesadelo.
Hoje, dia 16 de junho, passaram 4 meses de sofrimento, e começa o processo de reintegração do Mateus em casa, pois os médicos acham que ele pode recuperar melhor no seu ambiente familiar, e eu concordo plenamente com eles.
Se por um lado voltar a casa vai ajudar bastante, por outro lado existem condicionantes que podem interferir na sua recuperação pois são necessários tratamentos de neuro-fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, hipoterapia, etc., e também diversos equipamentos para o dia-a-dia do Mateus (cadeira para banho, cadeira de rodas, cadeira de automóvel, cadeira de posicionamento, standing frame, talas para endireitar os membros, etc.), equipamentos estes que por serem muitos especiais se tornam demasiado dispendiosos e nós Pais não conseguiremos comprar algum deste material para permitir ao Mateus lutar contra esta doença e proporcionar-lhe alguma qualidade de vida, uma vez que a aquisição dos mesmos ultrapassa os vinte mil euros.
Relembro que ainda não há diagnostico para a doença do Mateus, mas vamos procurar por todos os meios que nos forem possíveis obter uma resposta mas não podemos, ao mesmo tempo, deixar de ajudar na recuperação do nosso Menino.
Por isso peço a todos os que queiram ajudar o Mateus, a vencer esta luta e a ter um bocadinho mais de qualidade de vida, que divulguem esta mensagem junto dos vossos amigos.
O seu contributo com uma “gotinha” basta para nos ajudar a criar este oceano de esperança!

Obrigada a todos por tudo o que fizeram e seguramente continuarão a fazer por nós e pelo Mateus.

Cláudia Dias Ferreira

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terça-feira, junho 12, 2012

Força Grandalhona

Se me é permitido opinar, em matéria que me é familiar, muito tenho a dizer depois dos comentários que li no blogue de uma Grandalhona, que nada tem de derrotista nem de não lutadora. Talvez até fosse mais correto comentar no espaço que lhe pertence, mas na realidade o que quero mesmo é que todos saibam, que ELA não é de baixar os braços e não são comentários, como os que li sem identificação, e que sou contra, a vão fazer desistir.
Somos mulheres, a quem um dia, o céu caiu em cima como se de uma trovoada incontrolável se tratasse e o pior do mundo não tivesse solução. Vivemos um dia de cada vez, sempre como uma roleta russa, mas não desistimos nunca de o fazer. Não pertencemos a ceitas, instituições ou coisas parecidas, apenas tivemos e temos cancro da mama, ou de outra coisa qualquer por consequência de um outro, ou porque sim.
Não baixamos os braços, não dizemos não à vida, lutamos e queremos viver e ver os nossos filhos crescer, independentemente do que possa existir para lá da vida. Todas sabemos que não vamos viver eternamente, mas queremos prolongar a nossa estada por aqui. Não é fácil para ninguém, mas mais difícil será se nos entregarmos sem luta.
Eu tive cancro de mama e não me era nada favorável o prognóstico até terminar os tratamentos mais agressivos e não foi por isso que baixei os braços, muito pelo contrário. As sequelas ficam, isso não podemos negar, mas muita coisa boa nos trouxe e muitas amigas e partilhas se conquistaram. Os blogues e os grupos que se foram criando são a prova evidente da força que conseguimos transmitir e o apoio incondicional e sem interesses.
Grandalhona, gostei do que li no teu último poste. Claro que não vais DESISTIR nunca, porque somos muitas a dar nessa carola.
Ao ANÓNIMO, deixo o desafio de acreditar em quem pode e quer fazer com que consigamos continuar vivas. Viver é bom, mas temos de ter VONTADE DE VIVER

Enquanto houver estrada para andar, não vou parar...

 «Em Abril de 2006, foi-me detetado um cancro na mama, quando soube fiquei em choque, mas no mesmo momento pensei que mais importante era a ...