quinta-feira, novembro 01, 2018

Bora lá ser feliz...


Olá  Novembro.
Foram muitas as vezes que tentei voltar à escrita neste espaço que me ajudou a superar as minhas mágoas e desventuras ao longo dos últimos 12 anos. Foram momentos bons e menos bons, mas sempre ultrapassados com mais ou menos facilidade, mas que me deram estopa para estar de bem com a vida e voltar à escrita, com outros temas e mais variados. Não vai mudar de nome este blogue, até porque não faria sentido, uma vez que a Vontade de Viver é cada vez maior e com mais intensidade. Vem com outras vivencias e outras pessoas que já faziam parte da minha vida, assim como entraram posteriormente e foram muito bem vindas. 
As mudanças vão surgindo lentamente, à medida que os textos forem evoluindo. 
Conto com os vossos comentários e acreditem que podemos ser felizes.

terça-feira, setembro 18, 2018

Eu vou-te vencer, porque sou muito mais forte do que tu.

Em Abril, quando do ultimo poste, prometi que voltaria a escrever mais frequentemente, dando noticias minhas e das novidades que fossem acontecendo. Muito para fazer e a disposição não era assim tanta, para noticias que na realidade nada mais eram que simples fotos e fantasias.
Pois bem. Os exames do "magarefe" deram todos negativos, isso é que importa, mas as sequelas andam a dar que fazer! O esqueleto está a ficar fraquito, resolveu começar a virar pó, não há cola que o valha, daí muito cuidado e nada de avarias. As entranhas, um bocadito mais estragadas, mas nada que não se esperasse dos "xutos" levados. Mais uns drunfos e a coisa fica resolvida para amenizar esta ou aquela dor e quando o tempo arrefecer, volto ao hotel para mais uma estadia e ficar com umas pernocas ainda mais esbeltas, já que os meus "papagaios" são intocáveis porque estão a bicar a medula. A mama vai ter que voltar à recauchutagem, para fazer o acabamento final, agora que o organismo não rejeitou a segunda prótese.  Já lá vão doze anos e cumpri o que prometi. Para quem agora está nesta luta, há que acreditar e ter força. Nunca desistir, nunca baixar os braços e acreditar sempre, questionar, e procurar sempre. Sempre, mas sempre, eu consigo eu sou capaz.




quarta-feira, abril 11, 2018

Aprender a ser feliz. . .



Com o tempo aprendemos que para ser feliz com outra pessoa, é preciso em primeiro lugar, não precisar dela.
Amor não é envolver se com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encara a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando as suas qualidades, mas sabendo também os seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforma no melhor que podemos ser.
O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até nós.

domingo, fevereiro 18, 2018

Juntos somos mais fortes

Todos juntos somos mais fortes. Esta petição é de todos nós. Ela faz sentido porque todos somos iguais, todos somos diferentes. A sociedade é feita pela inter ajuda de todos para com todos. Todos queremos continuar a desempenhar um papel activo na sociedade, mas acontece que após os tratamentos não ficamos iguais ao que éramos anteriormente. Isso faz com que tenhamos de abandonar os nossos empregos e ficar em situações precárias, ou continuamos a trabalhar em condições não dignas a nível da nossa condição física, em consequência dos tratamentos e até de amputações que nos foram feitas.  É urgente uma atualização na lei laboral no que concerne ao doente, sobrevivente oncológico e seu cuidador.
“Lúcia Monteiro, diretora do Departamento de Oncologia Psicossocial do IPO de Lisboa, lamenta o facto de "muitas empresas em Portugal não facilitarem o regresso destes doentes". A lei do trabalho "não protege o doente oncológico, que, quando fica impossibilitado de fazer esforços, por exemplo, não é reintegrado em diferentes funções".

domingo, dezembro 17, 2017

Um almoço com Carecas

A vida foi me dando amigos ao longo destes anos e fazendo com que eu ganhe cada vez mais Vontade de Viver. Ontem o dia foi carregado de emoções e partilhas apesar de nestes onze anos de luta eu já estar habituada a dar e receber, ganhar e perder! 
Mais um almoço. Mais uma ida à aventura do desconhecido e sempre na expectativa de encontrar em cada uma, um bocadinho de mim e receber mais e mais para poder continuar a ajudar e a agarrar a vida com mais força e determinação. A Rosa foi a primeira, pois levou comigo desde Ovar até ao Porto e sempre a assapar! Há coisas que não se explicam, mas esta conversa de "mamas" faz com que as barreiras sejam de imediato quebradas e tudo é tão normal e banal, como que o nosso relacionamento não fosse de momento. 
Na Marina do Freixo, onde o sol brilhava, estava um grupo de mulheres lindas à nossa espera, para nos guiar até ao maravilhoso restaurante à beira rio onde o restante grupo nos aguardava para festejar a vida e partilhar os sorrisos, os abraços, as experiências, as dúvidas e tudo o mais que nós com os nossos corações e as nossas disponibilidades podemos dar e receber. 
Para mim estas experiências já acontecem há muitos anos "felizmente" e quero que continuem a acontecer, porque o cancro apesar de ter alterado a minha vida e me ter fragilizado fisicamente, emocionalmente deu me uma força muito grande e fez me ver a Vida de uma maneira diferente. Passei a dar muito mais valor às pequenas coisas e aos sentimentos que nos enchem o coração.  A mulher mais dura e mais austera morreu e a solidariedade veio ao de cima deixando ver o que realmente estava escondido pela vida. Talvez por toda esta racionalidade e até frieza no início, tenha sido mais fácil a minha luta e só ter interagido quando terminei todo o processo de tratamento. 
Tudo era diferente. As redes sociais não existiam, apenas os blogues e pouca informação estava disponível. Mas foram eles que nos uniram e fizeram com que grandes grupos de amigas percorressem muitos km de norte a sul para grandes abraços e partilhas.
Ontem voltei a sentir como que tudo voltasse ao inicio!
Gostei da energia de cada uma. Nem todas conseguem ser tão fortes como outras, mas a entre ajuda é muito grande e senti que se dá a camisola pelo outro.
Não podia deixar de haver a tradicional prenda de natal e não foi por acaso, que eu recebi um coração bem gordinho e "encarnado". A minha sorte!
Foi bom, muito bom e vou querer repetir sempre que me for possível estar presente. 
Estamos no Natal em que todos têm um coração grande em que todos apregoam aos sete ventos pela solidariedade, mas o Natal é todo o ano e há muitas/os mas muitas/os que vão precisar de nós. OBRIGADA . BOM NATAL
  

sexta-feira, dezembro 01, 2017

O Zé dos Xutos é uma estrela

A semana foi menos boa, para não dizer lixada. Para nós "os duros" quando ouvimos estas notícias, sentimos sempre um frio que nos percorre a espinha e nos leva o pensamento a lugares que tentamos sempre desviar!
Desde a arte de representar ao jornalismo e agora ao ícone da música Rock e que tanto me fez saltar, gritar, sentir momentos de euforia e plena alegria, fazer km para os ouvir e ver, conduzir centenas de km ao som das suas músicas, muitas vezes elas é que me davam a força para continuar. Não é fácil ouvir a notícia da partida de alguém que marcou a minha adolescência, a minha juventude e que ainda hoje eu corria para os ouvir tocar!
Os XUTOS são únicos e ninguém vai substituir o Zé Pedro, porque ele era e vai ser sempre ÚNICO. O Zé gostava demais de viver, sabia o que queria e sabia como cativar as pessoas e sabia também que as gerações bem mais novas o ouviam. No concerto que os Xutos deram a 26 de Setembro no estádio do Restelo na véspera das eleições, o Zé Pedro dirigiu se ao público, mas principalmente aos mais jovens e disse textualmente:

"Amanhã vai ser um dia importante para o nosso País e estejam atentos, não tenham medo do futuro, há aqui pessoal muito novo e o futuro pertence vos, mas não tenham medo de todos os riscos que vão ter de enfrentar. A gente não vos vai deixar uma sociedade muito boa, mas vocês, oxalá consigam mudá la, oxalá que consigam construir e alcançar a Paz que tanto era preciso que a gente conseguisse alcançar de qualquer maneira. Eu acho que a vossa participação é sem dúvida nenhuma importante. Não deixem que os outros decidam por vocês, façam a vossa escolha, às vezes temos nós que ter o problema, mas muitas vezes somos nós a solução. Uma coisa que vocês não deixem, é serem atingidos pela submissão."

Grande mas grande Zé Pedro vai ficar sempre nas nossas memórias com as suas músicas e o seu sorriso sincero. RIP 

quarta-feira, setembro 13, 2017

O nosso amigo acordou . . .

Maria, nome fictício, está com a segunda recidiva. 
Ontem recebi uma mensagem que dizia: "o nosso amigo acordou, vou amanhã dia 13 fazer quimioterapia". 
Conhecia nos corredores do hospital, no intervalo de uma qualquer consulta que ambas tivemos, pelas mesmas razões. Pois fomos companheiras de lutas por alguns anos. Quando ela chegou, eu já lá andava e para mim foi fácil dar uma ajuda e uma força. Quando abandonei o piso quatro, Maria ainda por lá ficou e acabámos por voltar a encontrar nos no grupo de apoio, uns tempos depois. 
Durante a terapia, houve a primeira recidiva que Maria acabou por superar com o apoio de todas nós e da terapeuta. Hoje está mais vulnerável e dizia me que se sente sem forças, está mais só, tem mais idade, pois o grupo faz lhe muita falta. 
Não é só à Maria que faz falta! São muitas as mulheres que neste momento estão a viver situações como a dela e outras que viveram situações de cancro de mama que se sentem desamparadas, porque não têm com quem falar da sua condição. 
Por mais que a família ou os amigos possam ou queiram ajudar, nunca conseguimos ter uma conversa aberta e falar a mesma linguagem e sentirmos que nos entendem.
 No CHEDV os grupos de terapia terminaram em 2015 mas actualmente estão de volta. Era tão bom que voltassem a chamar todas estas mulheres para os grupos terapêuticos, porque o único momento que tinham durante o mês para falarem de si com quem as entendiam, falarem dos seus males, das suas alegrias, das suas dores e de tudo mais que tivesse relacionado com o que as levava àquele espaço. Não estou a falar por falar! Sei do que falo, porque continuam a comunicar comigo e sempre que as encontro, no final das nossas conversas dizem me : "faz me tanta falta o grupo com a Dra  _ _ _ _ _".
Vamos lá pensar nisso, quem de direito, se me estiver a ler!

   

Bora lá ser feliz...

Olá  Novembro. Foram muitas as vezes que tentei voltar à escrita neste espaço que me ajudou a superar as minhas mágoas e desventuras...